Autor: [Herculano, Alexandre]
Título: A HARPA DO CRENTE
Editor: Typographia da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Uteis
Local: Lisboa
Data: 1838
Descrição:

[Herculano, Alexandre]

A HARPA DO CRENTE. Tentativas poeticas pelo auctor da Voz do Propheta, Typographia da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Uteis, Lisboa, 1838.

In-4º peq., 120 páginas, em ½ encadernação recente de pele vermelha c/ nervuras e dourados na lombada. Levemente aparado, conservando a capa de brochura ant. Primeira edição, publicada sem o nome do autor. (Inocêncio, vol. I, p. 15)


"I

Tíbio o sol entre as nuvens do ocidente,

Já lá se inclina ao mar. Grave e solene

Vai a hora da tarde! O oeste passa

Mudo nos troncos da alameda antiga,

Que à voz da Primavera os gomos brota:

O oeste passa mudo, e cruza o átrio

Pontiagudo do templo, edificado

Por mãos duras de avós, em monumento

De uma herança de fé que nos legaram,

A nós seus netos, homens de alto esforço,

Que nos rimos da herança, e que insultamos

A Cruz e o templo e a crença de outras eras;

Nós, homens fortes, servos de tiranos,

Que sabemos tão bem rojar seus ferros

Sem nos queixar, menosprezando a Pátria

E a liberdade, e o combater por ela.

Eu não! – eu rujo escravo; eu creio e espero

No Deus das almas generosas, puras,

E os déspotas maldigo. Entendimento

Bronco, lançado em século fundido

Na servidão de gozo ataviada,

Creio que Deus é Deus e os homens livres                                                                                                                       (Harpa do Crente, 'A Semana Santa', início)


Nome maior das Letras portuguesas, Alexandre Herculano (Lisboa, 1810-1877) tinha apenas 27 anos quando escreveu a Harpa do Crente.  Ver biografia do A. em:  http://ensina.rtp.pt/artigo/bi...

e também: http://cvc.instituto-camoes.pt...

Proveniência: ex biblioteca de José Maria da Costa e Silva (Almarjão).

Estado de conservação:  raras manchas de humidade; acidez do papel das últimas folhas.

Dim.:  23 x 14,5

Preço: € 195
Referência: l-10744-1