Autor: [Herculano, Alexandre]
Título: A HARPA DO CRENTE
Editor: Typographia da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Uteis
Local: Lisboa
Data: 1838
Descrição:

[Herculano, Alexandre]

A HARPA DO CRENTE. Tentativas poeticas pelo auctor da Voz do Propheta, Typographia da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Uteis, Lisboa, 1838.

In-4º peq., 120 páginas, em ½ encadernação recente de pele vermelha c/ nervuras e dourados na lombada. Levemente aparado, conservando a capa de brochura ant. Primeira edição, publicada sem o nome do autor. (Inocêncio, vol. I, p. 15)

Colectânea de poemas da juventude constituída por 8 poesias longas, acrescentada, mais tarde, numa edição que teria o título de Poesias e reapareceria em 1850.


«Trata-se, no seu conjunto, e como diz A. Machado Pires, in A expressão do sagrado na Harpa do Crente de Alexandre Herculano, de uma “poesia religiosa carregada de vivências políticas”, em que acontecimentos, coisas, paisagens, dão lugar a reflexões e meditações, num estilo de retórica solene, maiusculada, numa sintaxe algo fora do “normal”, em tom de grandiloquência bíblica, e em estrofes irregulares, em verso branco ou em quadras em verso de redondilha.  Revela nos seus poemas, geralmente longos, uma grande versatilidade de formas e variedades métricas.»  (Amélia Pais, citado de http://www.germinaliteratura.com.br/2010/literatura_dez10_ameliapais.htm)
Sobre Alexandre Herculano (Vale de Lobos, 1810-1977) ver biobibliografia em:  http://cvc.instituto-camoes.pt/seculo-xix/alexandre-herculano.html#.XP5Kw9QrJZY


“Tibio o sol entre as nuvens do occidente
Já lá se inclina ao mar. Grave e solemne
Vai a hora da tarde! — O oeste passa
Mudo nos troncos da lameda antiga,
Que já borbulha á voz da primavera:
O oeste passa mudo, e cruza a porta
Ponteaguda do templo, edificado
Por mãos duras de avós, em monumento
De uma herança de fé, que nos legaram,
A nós seus netos, homens de alto esforço,
Que nos rimos da herança, e que insultamos
A cruz e o templo e a crença de outras eras:
Nós, homens fortes, servos de tiranos,
Que sabemos tão bem rojar seus ferros
Sem nos queixar, menosprezando a Pátria
E a liberdade, e o combater por ella.


Eu não! — eu rujo escravo; eu creio e espero
No Deus das almas generosas, puras,
E os despotas maldigo. — Entendimento  
Bronco, lançado em seculo fundido 
Na servidão de goso ataviada,
Creio que Deus é Deus, e os homens livres ! 
                           (A Harpa do Crente, 1ª estrofe de  ‘A Semana Sancta')
Proveniência: ex biblioteca de José Maria da Costa e Silva (Almarjão).

Estado de conservação:  raras manchas de humidade; acidez do papel das últimas folhas.

Dim.:  23 x 14,5

Preço: VENDIDO
Referência: l-10744-1